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sábado, 4 de abril de 2020

sábado na sacada

17h58min, sábado, outono de 2020.
Estou sentado na sacada do meu apartamento, tomando um whisky sem gelo, olhando as ruas vazias e pensando sobre estes dias de COVID-19 no Brasil e no mundo.

Não imaginava que eu veria algo assim, e olha que me preparei a vida inteira olhando filmes sobre pandemia e apocalipse zumbi. Na boa, eu achava que isso ia acontecer na geração dos meus filhos ou netos e não agora.

Mas não, a coisa é agora, a coisa é hoje.

As ruas estão vazias e vou tomar uma dose dourada e escutar um rock. Neste momento rola Russian Roulette do The Lords of The New Church e reparo o quanto o nome desta música é apropriado para o dia de hoje.

terça-feira, 11 de julho de 2017

parece suicida

Daí eu tô de boa rabiscando uns desenhos, escutando música ("Winter Beats" do I Break Horses), quando reparo numa moça que senta na mesa ao meu lado. 

Ela tem o olhar triste. Aquele tipo de olhar de quem perdeu o rumo da vida, de quem está desiludida e sem amor.

Claro, não sei se este é fato, afinal estou desligado do mundo há tempos e meio que perdi a vontade de escutar o que os outros tem pra me dizer. Na verdade o ser humano meio que me cansou, então não dou mais bola pro caos do Brasil e do mundo. Prefiro ficar cuidando da minha vida - sim, pode parecer egoísta, mas é o melhor a fazer - e das pessoas que me preocupo.

Obs: repararam que minhas orações são cada vez mais curtas? É resultado de querer escrever cada vez de forma mais direta, como seu eu pudesse simplesmente ligar todas as coisas que penso para dentro da cabeça de vocês.

Tá, mas isto é só um detalhe.. continuando com a mulher sentada na mesa ao lado...

Ela pega um livro e começa a ler. Folheia algumas páginas e para, pega um lápis e escreve alguma anotação no canto da folha. Tento ler o título do livro mas não consigo ver de onde estou posicionado. 

Em determinado momento ela levanta o olhar e fica distraidamente olhando o vazio. Seus olhos parecem vazios, ao mesmo tempo repletos de melancolia e solidão.

O tempo passa, termino meu café e me abrumo para sair. Ao sair dou uma olhada e reparo que o livro dela está todo rabiscado. Vou embora refletindo sobre o que causou tamanha tristeza. Nunca vou saber, mas imagino que parecia ser o último dia de vida dela. E se for... gostaria muito de ler o que ela tanto escrevia naquelas páginas envelhecidas.