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terça-feira, 3 de abril de 2018

nova religião

Uma noite comum.
O som das sirenes indicam que são três da manhã. É hora do demônio.
Vamos jogar a ciência americana, molhar os corpos com o sangue.
Um maniaco limpando a faca esquece o seu nome.
Mas ele sabe a hora certa de agir quando vê a cor do seu cabelo sendo banhado pelo luar.
Já é tarde.
Ainda é cedo para os amantes.
Vamos cortar os corpos.
E tomar banho no escarlate quente.
A cidade está aberta.
Uma ferida que não cicatriza.
Perfume de enxofre.
Toque o corpo que corre pelo subterrâneo, pele suada grudada em seu dorso.
Um lobo dentro do seu sexo.
Fêmea molhada esperando a mordida do dono.
Eletricidade.
Sombras.
Fome vampiresca.
Nova religião.
Mulheres nuas dançam em meu nome e soldados da nova ordem sabem quem deve morrer.
Flores sob os pés e arame farpado sobre a cabeça.
Coroa de espinhos de aço rasgam a face do Messias do terceiro milênio.
Os pecadores cantam a nossa canção Madalena e você sabe que deve ficar de quatro.
Puxo seus cabelos e suas pernas se abrem.
Venha, vamos uivar para a noite eterna.
Vamos carregar a cruz feita com a madeira da primeira árvore.
O Éden é nossa alcova.
Estou falando direto para o seus ouvidos.
Feche os olhos e verá que já estou dentro de você.
Um animal comendo o seu sexo.
Lobo vestido de carneiro.
Bebendo seu gozo.
Bandeiras de guerra ao redor da cama marcam nossa terra.
O Paraíso.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

the hungry... depois de comer carne humana, o animal nunca mais come outro tipo de alimento.

Em alguns dias, algumas noites, sinto uma energia diferente em meu ser. Meu corpo muda, de forma imperceptível pra quem me olha, mas intensidade incrível por baixo da minha carne.

É como se minha pele fosse tomada por uma eletricidade que irradia cada molécula, cada pelo, cada centímetro em mim.

Meus músculos ficam mais preparados, rijos como se em espera de um conflito, de um embate de forças similares.

Minhas narinas se dilatam para eu respirar melhor, minha pupilas cobrem meu olho inteiro, tornando meu globo ocular em uma imensa bola negra.

Movimento meus braços, minhas mãos se espalmam e meus dedos se movem como que tentando tocar a energia etérea que flui no ar da noite.

Sinto a intensidade do momento da caçada.

O prazer de abater a presa me excita.

Meu pescoço estala quando movimento minha cabeça de uma lado para o outro, lentamente, sem tirar meus olhos do foco, da mira, do prêmio maior.

Não penso mais em mim como homem... sou um animal que quer sentir o gosto da carne mais uma vez.

Sorrio... os olhos se fixam... meus dentes crescem e com a língua faço o contorno da arcada, salivando de fome.

Puxo o ar e completo os pulmões.

Coração bate em um ritmo lento... câmera lenta da preparação.

Tranco a respiração.

Me abaixo até o chão.

Minhas pernas tensionam.

Sangue bombeia os músculos.

A presa está se aproximando...

Fecho meus punhos.

Rosno.

E dou o impulso certeiro.

Ataco o pescoço.

A primeira mordida faz tudo.

Sangue.

Calor.

Sabor.

Agora me alimento.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

cinco coisas sobre mim (que as pessoas confundem)

Vou deixar claro algumas coisas:

1. Sou disciplinado... não fascista;
2. Sou focado... não teimoso;
3. Sou confiante... não arrogante;
4. Sou amoroso... não piegas;
5. Sou ativo... não um animal... tá... pera... sou um animal mesmo.

cinco coisas sobre mim (que as pessoas confundem)

Vou deixar claro algumas coisas:

1. Sou disciplinado... não fascista;
2. Sou focado... não teimoso;
3. Sou confiante... não arrogante;
4. Sou amoroso... não piegas;
5. Sou ativo... não um animal... tá... pera... sou um animal mesmo.

sábado, 17 de setembro de 2016

caçando

Algumas vezes iremos para Paris, pois o que acontece em Paris... fica em Paris.

Esta é a bela Paris.

Se queremos viver, vamos pra cidade das luzes, onde a festa e a nossa vida não terminam.

Seguindo além da linha vermelha.

Além do Sul.

Onde o centro não significa nada e a verdade está dentro da nossa carne.
Tenho fome em nosso mundo.

Vivendo solitário, sou um lobo em caça, que se liberta pra buscar sua presa.

E sei que quando a capturo, ela se entrega.

Minha bela... Síndrome de Estocolmo...

Eu apenas digo: "venha"... e ela vem viver o que mais necessita... nosso mundo!

Apenas isto satisfaz a fome dos animais.

O tempo é longo apenas para os que não acreditam, pois eu já venci a morte e sei que sou capaz de avançar pelas paredes de concreto.

Então... no momento certo começarei o show.

Pois nossa vida está em Paris e nossos segredos em um quarto escuro.

Tenho fome do nosso mundo.

Agora vou saciar minha fome com presas menores... que não me desafiam e não tem o mesmo sabor que me satisfaz.

Você ama voltar pra mim e sentir os meus dentes pontiagudos marcando a sua carne.

O caminho da felicidade é ao lado do dono do bunker. Então pegue este caminho dos tijolos dourados e venha comer e beber do meu corpo.

Pois sua fome é a minha fome.